Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

A saber

Se um dia não me souberes,
sabe apenas isto:

por ti e só por ti fui inteiramente louca

todas as minhas palavras são precipícios
que começam no teu corpo,
todos os meus poemas são vertigens
que acabam na tua boca.

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Revista Literária Sítio

Durante esta semana, a Revista Literária Sítio vai fazer esvoaçar as minhas palavras. Entre poemas, encontrarão ainda uma entrevista, todos os dias um bocadinho de mim. Passem por lá, façam-me companhia.

Aqui fica o link, para os que não conhecem: http://sitio.atv.pt/

Beijos a todos

Ruth Ministro

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Pássaro negro

Há um pássaro negro 
aninhado nas minhas mãos,
tremendo enquanto
escrevo este poema,
este tão triste poema.

Se eu plantar uma árvore
no último verso,
talvez ele voe e vá pousar
num dos seus ramos,
talvez eu consiga ouvi-lo cantar,
quero tanto ouvi-lo cantar...

Aninhado nas minhas mãos,
há um pássaro negro
que treme,
à espera que nasçam flores
na cerejeira que acabo de inventar.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Sempre o teu nome

Há o teu nome
imenso e inconfessável
como um pecado.

Há o teu nome
que não digo
e que me repete.

O teu nome
sempre o teu nome
o teu nome apenas.

Não sei a claridade
sei o teu nome.

Na minha boca
a noite arde em permanência.

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Um poema grave e triste

É noite 
e o silêncio tem o tom 
de um poema grave e triste

as horas envelhecem
ganham pó

e eu só
um resto de amor
que ninguém sabe que existe.

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Sonho de criança

Sonho como uma criança,
toda a realidade é um malmequer
e cabe na minha mão. 
E sopro o mundo inteiro para
dentro de uma bola de sabão.

Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

Adoração

Adoro o cheiro do café quente
das manhãs doces de Verão
da terra molhada depois da chuva
das ruas desertas de madrugada
das flores cujo nome não sei dizer
daqueles dias sem horas certas
e daquelas noites dentro dos sonhos
em que posso ser eu e posso ser louca

e acima de tudo e além do que for
adoro o cheiro da tua pele
e o gosto a frutos de céu
dos poemas que guardas na boca.

Terça-feira, 26 de Março de 2013

Má sorte

Dizem que tem olhos grandes
e boca faminta,
que as suas mãos têm garras,
e que no lugar da voz
costuma ouvir-se um rugido.

Dizem que come criancinhas
ao pequeno almoço,
que é cruel e não perdoa,
que mete medo a qualquer susto.

Diz-se sempre muita coisa
e por vezes sobre coisa pouca.

Eu cá não sei, nunca vi,
não faço ideia,
mas pelo sim, pelo não,
escrevi-lhe este poema.

É que partiu-se um espelho
cá em casa
e a única pata que tenho
é a do meu gato,
em cima do poema.

Ainda bem que é a direita.

Quinta-feira, 21 de Março de 2013

Agora que o amor é uma certeza

Agora que o amor é uma certeza,
posso tocá-lo na tua pele nua,
fazer dele gesto, palavra, poema,
ou mesmo pássaro
esvoaçando pela rua. 

Sábado, 16 de Março de 2013

Pormenores

Aqui estou eu a falar contigo
como se estivesses ao meu lado.
A tocar-te o rosto tranquilo
como se estivesses ao meu lado.
A sentir-te respirar
como se estivesses ao meu lado.
A ver-te adormecer
como se estivesses ao meu lado.
A dizer-te este poema
como se estivesses ao meu lado.

Não estares ao meu lado é apenas
um pormenor sem importância.
Se eu te disser que te amo,
tenho a certeza que respondes.

Terça-feira, 12 de Março de 2013

Milagre

Nada,
nem a beleza indescritível da
natureza,
se compara ao teu
rosto.

Comove-me o ténue esboço do
teu sorriso,
como um rio que nasce
em liberdade,
 um trilho de flores
sem nome,
um milagre onde corre
o vento.

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Uma zanga de apaixonados

Há noites em que o poema se zanga comigo.
Vira-me as costas e corre para outra divisão
da casa, só para estar longe de mim.
Eu bem tento conversar, pedir-lhe perdão
por não lhe ter dado mais atenção durante o
dia, mas ele, amante de orgulho ferido, não
perdoa. Diz-me que tenho que o merecer.
Que o amor precisa de amor. Que tenho
que lutar por ele. Então, desembainho a
minha caneta e, contra todas as sombras dos
corredores que nos separam, arrombo a
porta do quarto onde ele se esconde, luto
até de madrugada por conseguir um beijo dele.
Depois disso ele cede sempre, e eu escrevo-o
louca e desvairadamente, como se nada mais
existisse, como se fossemos um só,
como se nunca pudéssemos ter sido dois.
No fim, enlaçados e exaustos, vemos o
sol nascer no papel.

Não há versos de amor como os que se
fazem depois de uma boa zanga.

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Amor urgente

Não te demores,

ama-me com a urgência do rio
que se faz mar,

a vida não passa de um breve
sonho,

uma rosa a desabrochar.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Ser ou não ser: não faço questão

Se for, é porque sou,
se não for, é porque não sou.
Talvez eu simplesmente não possa ser
aquilo que na verdade nunca fui.
Sou sem saber bem o que sou,
embora sabendo que não sou nada.
Não faço questão de ser coisa alguma,
não ser já dói tanto, ser só, mais ainda.

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

É amor, sim senhor

Eu acho que é amor.
Só pode ser amor.
Se não for amor, é um problema grave
no coração, daqueles que dão poucos
dias de vida e uma morte dolorosa.
É que me dói o peito sempre que não
estás perto de mim, sempre que me
deixas entregue à saudade.
Ou será antes nos pulmões. É que me
falta o ar só de pensar nos teus olhos,
no teu rosto doce a sorrir.
Também pode ser o estômago, fica
sempre pequenino quando me faltam
os teus beijos, quando não oiço a tua voz.
Mas eu cá digo que é amor.
Ou isso ou um vírus desconhecido,
daqueles que afectam o corpo todo
e ninguém sabe curar e acabam por
exterminar a vida na terra.
Mas isso é só nos filmes, não é?
É amor, sim senhor.
Macacos me mordam se não for.



A todos os que têm amor no coração, um enorme sorriso neste Dia de São Valentim.