quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Foram elas, as palavras

Foram elas. As palavras.
Sozinhas, arrastaram-me com todas as suas forças.
Foram elas que me levaram até ao fundo da madrugada.
Foram elas que se abraçaram em pranto, ao meu redor,
até das suas lágrimas nascerem o dia e o poema.


Eu morri de cansaço pelo caminho.

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Certeza

Eu sei que já não estarás nos meus braços
quando o sol vier sussurrar-me o nascer do dia.

Sei que partirás, como sempre, antes da lua,

levando contigo as palavras,

esquecidas nas algibeiras do sonho.

domingo, 10 de Janeiro de 2010

Cansaço

O poema amachucado,
como os dias,
como a pele,
como as flores.

O poema espelhado,
- como a vida -
na água de um velho rio,
sob o gélido olhar
do sol de inverno.

segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

Poética II


Escrevo para não deixar voar o pensamento.
Para não o deixar fugir de mim.
Para não me perder dele.
Para que não se perca de si mesmo.
Para que fique. Sempre. Para sempre.
Porque todo o pensamento é volátil.
Até mesmo o sentimento que o faz nascer, o é.
Só as palavras são capazes de lhes dar matéria e forma eternas.
O poema, esse sim, deixo-o voar com os pássaros.



Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Desejo

Começar o sonho nos caminhos floridos dos teus olhos,
e acordar feliz, ao chegar cansada ao aconchego do teu peito...

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Feliz Natal


A todos quantos por aqui passam, carregados de sonhos e de poesia...

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Princípio


Esta noite,
vamos esvaziar as palavras de todos os seus sentidos.


Com o silêncio das nossas mãos entrelaçadas,

reinventaremos a poesia.




Imagem "ying yang", retirada de http://olhares.aeiou.pt

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

De tanto amar

tantas palavras desperdiçadas
tantas noites perdidas
tantas lágrimas choradas
tantas inúteis despedidas
tanto cansaço nas mãos
tantas doces memórias
tantos pedidos vãos
tantas tristes histórias
tantas amargas madrugadas
tantos versos sofridos
tantas palavras desperdiçadas
em poemas nunca lidos

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Sol de Inverno


O sol seca as lágrimas
que já moram nos meus olhos
,
e por momentos, acredito.

Acredito que a vida é muito mais

do que este choro silencioso,

que faz do meu peito

um Inverno sem fim.

Fecho os olhos,
e ao fundo de mim,

quase consigo ver um céu
florido de nuvens brancas.
Quase consigo tocar a Primavera.



Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Dentro do poema

Aqui comigo, dentro do poema,
cabem a lua e uma canção...
Danço em pontas de bailarina,
à luz desta lua pequenina,
ao som do meu coração.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

"Encontro com os autores"

Este Domingo, dia 06 de Dezembro, às 16h00, estarei no Clube Literário do Porto.

Apareçam, estão todos convidados para uma tarde "à conversa" comigo.

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Modus Operandi






















Peguei na palavra amo-te
e cravei-a com força no peito.
Deixei escorrer lentamente no papel,
os versos com que escrevi o poema.
Depois, arranquei a palavra amo-te
do peito já vazio de poesia,
e fechei a ferida com cuidado,
para não deixar vestígios.
Limpei a palavra amo-te,
minuciosamente,
antes de a enterrar onde nunca
mais conseguirás encontrá-la.


Imagem encontrada algures na net...

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Fala-me de um dia distante


Fala-me de um dia distante,
tão distante como o céu,

que não posso tocar

mas que sei que existe.


Fala-me de um dia em que o silêncio

estará no fundo dos teus olhos,

nas pontas dos teus dedos,

no toque morno dos teus lábios
numa manhã fria de Inverno.

Fala-me desse dia distante,

tão distante como o teu amor,

que não posso tocar,

que nem sei se existe...

Hoje, só hoje,
porque hoje,
a noite está mais perto que nunca.


Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Luzes da cidade

















Há as luzes da cidade no silêncio que nos separa.
Olho-as da janela deste quarto e penso em ti.
Não há mais nada.
O vento que não oiço levou as tuas palavras.
E as minhas doem demais no papel cansado.

Há as luzes da cidade iluminando o teu rosto

no rosto que vejo na janela deste quarto.
Tudo o resto é silêncio.
Tudo o resto sou eu.


Fotografia: "City Lights", de Jim M. Goldstein

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Alma de poeta






















Tenho uma alma inquieta,
que não se contenta com pouco,
prisioneira de um coração louco,
jamais se sente completa.

Alma grande, desvairada,
esta minha, inconsequente,
se não ama, anda doente,
não tem razão para mais nada.

Que fazer de uma alma assim,
se não posso arrancá-la do peito,
matá-la com um golpe perfeito,
se ela faz parte de mim!...

Não sossega, a minha dor,
pois tenho uma alma inquieta,
tenho alma de poeta,
tenho a alma aberta em flor.


Imagem: "Nu de Dos", de Pablo Picasso

domingo, 8 de Novembro de 2009

Nota de autor

Não me perguntem o que quer dizer o poema. No dia em que eu tiver de o explicar, prefiro deixar de escrever. Explicar o poema é como arrancar as pétalas a uma flor; no final, já não há flor. A poesia não é para ser lida, a poesia é para ser sentida. E cada um é livre nesse jardim do sentir. A quem procura informação, aconselho vivamente um bom jornal.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Eu sei que vais lembrar-te de mim, quando as mãos dela não forem capazes de adormecer os teus pesadelos. Quando a sua pele não tiver o cheiro da minha pele, que sempre foi tua. Quando nos seus lábios procurares saciar o teu amor e apenas sentires mais sede. Eu sei que vais lembrar-te de mim. Quando ela te disser palavras que serão apenas palavras, e que te dirão sempre menos do que as que um dia foram poemas que não soubeste ouvir, e que saíram do meu peito. Quando ela te olhar nos olhos dizendo "amo-te", vais lembrar-te de mim, que não tive tempo de to dizer.

(E eu vou lembrar-me de ti, quando disser a palavra "amo-te" a um outro homem, e ao mesmo tempo soltar as letras do teu nome, como fagulhas, para dentro de mim...)

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Neste lugar

Neste lugar onde me deixaste só,
as ruas são sombrias e não têm nome.

Não há canteiros de flores nas janelas,

nem pássaros a dormir nos beirais,

e os vultos que por mim passam

não têm rosto.


E o que mais me desespera,

não é a certeza de estar
perdida,
sem ti, sob um céu
que não sabe
amanhecer...
É olhar para cima,

e não conseguir ler um poema

nas estrelas que restam.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Poética


Eu não escrevo palavras,
escrevo céu e flores e mar...


Escrevo balões de sonhos a esvoaçar.



Imagem encontrada num qualquer recanto esquecido da net

sábado, 24 de Outubro de 2009

Carta não enviada


Quando leres esta carta, eu já não estarei aqui. Não poderás dizer-me o que quer que seja, pois eu estarei longe e o lugar para onde vou não tem morada. Nem uma carta, como esta que te escrevo, poderás enviar-me. Por isso, espero que nunca te arrependas de todas as vezes que me ofereceste as palavras erradas nos escassos minutos que me dedicaste. De todas as vezes que me magoaste com o teu egoísmo, porque sabias que eu te perdoaria sempre, e tudo. Espero, do fundo do coração, que nunca te arrependas das coisas que não me disseste por qualquer razão que só tu conheces, e que eu até hoje esperei ouvir. Em vão. Espero que não chores por todas as noites que não quiseste passar ao meu lado, como eu chorei por tanto te querer e não te ter aqui. Espero, com todas as minhas forças, porque te amo, que não te lembres de mim e dos meus versos ridículos escritos para ti, com saudade. Pois não te valerá de nada. Eu já não estarei aqui. Nunca mais estarei aqui. Nunca mais serei as mãos que te seguram o rosto, os olhos que te pedem perdão por te dizerem tudo o que nunca soubeste ouvir. Nunca mais poderás tocar os meus cabelos espalhados no teu peito ou beijar a minha pele morna de ti ao acordar. Nunca mais, é muito tempo. E é tudo o que me resta para te dar.

P.S. Adeus


Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

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