segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Luzes da cidade

















Há as luzes da cidade no silêncio que nos separa.
Olho-as da janela deste quarto e penso em ti.
Não há mais nada.
O vento que não oiço levou as tuas palavras.
E as minhas doem demais no papel cansado.

Há as luzes da cidade iluminando o teu rosto

no rosto que vejo na janela deste quarto.
Tudo o resto é silêncio.
Tudo o resto sou eu.


Fotografia: "City Lights", de Jim M. Goldstein

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Alma de poeta






















Tenho uma alma inquieta,
que não se contenta com pouco,
prisioneira de um coração louco,
jamais se sente completa.

Alma grande, desvairada,
esta minha, inconsequente,
se não ama, anda doente,
não tem razão para mais nada.

Que fazer de uma alma assim,
se não posso arrancá-la do peito,
matá-la com um golpe perfeito,
se ela faz parte de mim!...

Não sossega, a minha dor,
pois tenho uma alma inquieta,
tenho alma de poeta,
tenho a alma aberta em flor.


Imagem: "Nu de Dos", de Pablo Picasso

domingo, 8 de Novembro de 2009

Nota de autor

Não me perguntem o que quer dizer o poema. No dia em que eu tiver de o explicar, prefiro deixar de escrever. Explicar o poema é como arrancar as pétalas a uma flor; no final, já não há flor. A poesia não é para ser lida, a poesia é para ser sentida. E cada um é livre nesse jardim do sentir. A quem procura informação, aconselho vivamente um bom jornal.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Eu sei que vais lembrar-te de mim, quando as mãos dela não forem capazes de adormecer os teus pesadelos. Quando a sua pele não tiver o cheiro da minha pele, que sempre foi tua. Quando nos seus lábios procurares saciar o teu amor e apenas sentires mais sede. Eu sei que vais lembrar-te de mim. Quando ela te disser palavras que serão apenas palavras, e que te dirão sempre menos do que as que um dia foram poemas que não soubeste ouvir, e que saíram do meu peito. Quando ela te olhar nos olhos dizendo "amo-te", vais lembrar-te de mim, que não tive tempo de to dizer.

(E eu vou lembrar-me de ti, quando disser a palavra "amo-te" a um outro homem, e ao mesmo tempo soltar as letras do teu nome, como fagulhas, para dentro de mim...)

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Neste lugar

Neste lugar onde me deixaste só,
as ruas são sombrias e não têm nome.

Não há canteiros de flores nas janelas,

nem pássaros a dormir nos beirais,

e os vultos que por mim passam

não têm rosto.


E o que mais me desespera,

não é a certeza de estar
perdida,
sem ti, sob um céu
que não sabe
amanhecer...
É olhar para cima,

e não conseguir ler um poema

nas estrelas que restam.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Poética


Eu não escrevo palavras,
escrevo céu e flores e mar...


Escrevo balões de sonhos a esvoaçar.



Imagem encontrada num qualquer recanto esquecido da net

sábado, 24 de Outubro de 2009

Carta não enviada


Quando leres esta carta, eu já não estarei aqui. Não poderás dizer-me o que quer que seja, pois eu estarei longe e o lugar para onde vou não tem morada. Nem uma carta, como esta que te escrevo, poderás enviar-me. Por isso, espero que nunca te arrependas de todas as vezes que me ofereceste as palavras erradas nos escassos minutos que me dedicaste. De todas as vezes que me magoaste com o teu egoísmo, porque sabias que eu te perdoaria sempre, e tudo. Espero, do fundo do coração, que nunca te arrependas das coisas que não me disseste por qualquer razão que só tu conheces, e que eu até hoje esperei ouvir. Em vão. Espero que não chores por todas as noites que não quiseste passar ao meu lado, como eu chorei por tanto te querer e não te ter aqui. Espero, com todas as minhas forças, porque te amo, que não te lembres de mim e dos meus versos ridículos escritos para ti, com saudade. Pois não te valerá de nada. Eu já não estarei aqui. Nunca mais estarei aqui. Nunca mais serei as mãos que te seguram o rosto, os olhos que te pedem perdão por te dizerem tudo o que nunca soubeste ouvir. Nunca mais poderás tocar os meus cabelos espalhados no teu peito ou beijar a minha pele morna de ti ao acordar. Nunca mais, é muito tempo. E é tudo o que me resta para te dar.

P.S. Adeus


Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Isto não é um poema

Isto não é um poema.
Não te escrevo um poema,
porque os poemas são dos poetas,
e os poetas têm asas nos dedos,
e eu sou apenas uma mulher.

E porque não há no mundo
e nos livros que existem,
palavras que cheguem para te dizer
tudo aquilo que não cabe num poema,
neste poema, que eu não sei escrever.

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sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Barquinho de papel













Um dia, sei que tu não serás mais

do que um barquinho de papel

que docemente lanço ao mar,
e que eu, vou ver a tua imagem,
lá ao fundo, desfocada,
no limite de atingir o horizonte,
desfazer-se como os sonhos que te dei,
na água tranquila e gelada.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Eu outra

















Amanhã serei outro dia,
outro céu, outra luz.

Amanhã não serei este nada,
esta poeira de estrada,
esta lágrima não chorada.

Amanhã serei outra noite,
outro céu, outra luz.

Amanhã serei eu mesma,
eu outra,
eu reinventada.



Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

O meu amor existe


O meu amor existe. E tem olhos de mar e sorriso de lua. O meu amor está algures onde o tempo deixa de contar nos relógios, algures onde a dor não pertence. O meu amor existe e os búzios da praia dizem-me que a sua voz é uma brisa de vento. Que sua voz é carícia nas minhas feridas. E as suas palavras são água pura e transparente a lavar a minha alma. O meu amor existe e um dia eu vou beijar-lhe os lábios e entregar-me ao seu abraço. E vou deixá-lo adormecer-me. E vou voltar a sonhar. E nesse dia, também eu saberei que existo.


Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

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segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Metamorfose


Não, já não são os teus olhos.
Já não são as tuas mãos,

nem os teus lábios,

nem a tua pele.

Já não és tu.


Não, já não és eu.



Imagem retirada de http://olhares.aeiou.pt

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Minutos suspensos


Aqui neste lugar há minutos suspensos,
perdidos como aves em nevoeiros densos,
minutos que não sabem para onde ir,
sombras que o tempo deixou fugir,
e que agora são menos que nada,
inúteis como lágrimas na madrugada.

E estes minutos
que só eu não esqueço,
estes minutos que já só eu conheço,
ficarão para sempre suspensos em flor,
aqui, neste lugar onde adormeço...


Imagem: "Rosa Meditativa" de Salvador Dali

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

No avesso do poema


No avesso do poema há a noite.
A noite nos meus olhos,
nas palavras, no papel.

No avesso do poema não há lua
,
e as estrelas não têm voz.

Há silêncio. Um silêncio doloroso,

como o rosto agonizante do céu

a afundar-se na escuridão.

No avesso do poema há a morte,

com dentes afiados,
a rasgar-me o coração.


Imagem retirada de http://luziandrohertel.spaceblog.com.br

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

A não perder!


Deixo-vos as ternas palavras da autora...

Pin

Uma explicação de ternura

Ternura (muita), e as palavras que dela nasceram... momentos (muitos) que explica no bater do coração e no brilho do olhar. Ternura... este livro é apenas uma das suas muitas explicações.

Nasci de mão dada com a ternura, com ela cresci, me fiz gente.

Aprendi a acarinhá-la, a guardá-la entre os dedos.

Semeio-a, com a ajuda do vento.

Sacio-lhe a sede, com lágrimas doces.

Vejo-a tornar-se maior sem sobejar.

Bebo de toda a que me oferecem e entrego-a, na mão de quem a queira de mim beber.

Este livro reflecte o que hoje sou.

Espero que possa transmitir-vos a serenidade e a ternura que sinto quando escrevo.



Até lá a todos e um beijo de parabéns a ti, Pin :)

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

É a última vez que te escrevo. A última vez que te amo num poema que não lês. A última vez que te beijo por entre as palavras como se elas pudessem ocupar o lugar dos teus lábios. A última vez que te grito a minha saudade nos versos, como se neles pudesse sentir o calor das tuas mãos. Em mim. É a última vez. Este poema és tu. Em mim. Tu, pela última vez.

domingo, 6 de Setembro de 2009

anoiteSer


Anoiteci sozinha mais uma vez. Sozinha como a própria noite, sem lua nem estrelas, perdida num céu demasiado fundo, demasiado denso, demasiado nu. Anoiteci sozinha mais uma vez, sozinha porque tu não estás comigo. Tu não estás comigo, mais uma vez, e eu estou cansada, mais cansada que a própria noite, que o amor que já matei mil vezes no peito, que as palavras que já não sei escrever-te... Amanhã acordarei sozinha mais uma vez, e o sol será apenas uma ilusão, um sonho de amanhecer contigo ao meu lado, os teus cabelos junto aos meus, os meus lábios nos teus lábios, os teus lábios mornos, as tuas mãos, um pássaro na janela, testemunha da nossa felicidade. Amanhã acordarei sozinha mais uma vez, e no céu que me enche os olhos que não te vêem, serei o mesmo anoitecer.


Imagem: "The Dark Lover", retirada de http://olhares.aeiou.pt

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Eternidade


Serei sempre eu nos versos que escrevo.
Mesmo que murchem as flores que trago no peito,
mesmo que o céu se enegreça nos meus olhos,
mesmo que o mar me engula as palavras,
ficarei para sempre nos versos...
E é essa a verdadeira eternidade.


Imagem: "Poet´s Walk" de Henri Silberman

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

As ondas

Há um silêncio entre nós. Um silêncio que engole todas as palavras que dizemos um ao outro. Há um minuto que nos separa, mesmo quando o nosso tempo se compassa num mesmo bater de coração. Há um espaço que nos afasta, mesmo quando os meus braços são as conchas onde adormeces. Talvez haja um lugar, um segundo, para nós. Um olhar perfeito. Talvez haja um silêncio que diga tudo o que as palavras não dizem, e esse silêncio seja tão feliz como o repousar do pôr-do-sol nos teus cabelos, chamando as minhas mãos... E talvez os meus dedos não cheguem para lhes tocar.

Por mais que beijem a areia, as ondas pertencerão sempre à imensidão do mar.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Esta praia






















Esta praia.

A areia fina e quente entre os dedos.
Este sol.
A luz acendendo-me por dentro.
Por dentro, até ao fundo de mim,
onde eu já não sabia chegar.
..
Esta paz.

E sou eu outra vez.
Esta concha sem nome,
que, por instantes,
pertence apenas ao mar...



Imagem encontrada algures na net...