domingo, 16 de março de 2008

Um livro absolutamente magnífico...

"Em cada vida digna deste nome há sempre um momento em que se imerge numa paixão, tal como ao atirarmo-nos para as cascatas do Niagara. Naturalmente, sem bóia de salvação. Não acredito em amores que começam com um agradável passeio de Primavera, de mochilas às costas e alegres canções, pela floresta raiada de sol... Estás a ver, aquela exuberância de «dia de festa», que alimenta a maior parte das relações humanas na sua fase inicial... Que suspeito isso não é! A paixão nada tem de festivo. Essa força tão séria, que tanto cria como destrói o mundo, não espera resposta dos que toca, não lhes pergunta se é bom ou mau, não se preocupa minimamente com os sentimentos humanos. Dá tudo e tudo pretende: exige uma entrega sem condições, alimentada pela mesma energia primordial da vida e da morte. Nem de outro modo se pode saber o que é a paixão... e quão poucos chegam a este ponto!"

Sándor Márai in "A mulher certa"

13 Comments:

Blogger Donagata said...

Tinha a certeza que o ia apreciar. É espantoso.
Um beijo.

3/17/2008  
Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Sándor Márai é magnifico ou não fosse o autor do livro que dá nome ao meu blogge.

Este ainda não li mas já comprei.

bjinhos

3/17/2008  
Blogger Ana said...

Fiquei com água na boca. De facto um amor começa sempre por essa paixão louca, tipo uma fera imensa que nos quer devorar mas que se vai acalmando e enternecendo ao longo dos tempos.

Beijos doces, minha querida.

3/17/2008  
Blogger nuvem said...

Donagata, mais uma vez o meu obrigada pela gentileza de me ter dado a conhecer esta magnífica obra. Mil beijinhos

As velas ardem até ao fim, é mesmo, não posso estar mais de acordo minha querida. E esta obra marcou-me profundamente. Para mim, é a melhor. Mil beijos

Ana, vale mesmo a pena ler. Beijinhos :)

3/17/2008  
Blogger Xisko the kid said...

até que enfim que alguem tem coragem de desmistificar estas coisas...sim é dor, sim é luta, sim é angustia...e sim, sabe muito bem.

3/17/2008  
Blogger melgadoporto said...

Sempre gostei do teu:
“Não me procures.
Encontra-me.”
Trazia consigo o ocaso.
A razão do inevitável.
O sabor do querer, que seja.
Hoje acrescentei-lhe:
Nem de outro modo se pode saber o que é a paixão...
e quão poucos chegam a este ponto!"
:)

3/17/2008  
Blogger Blue Velvet said...

Este já é o 3º livro que leio de Sándor Márai.
Foi-me indicado por altura do Natal pelo Luis Galego( Infinito Pessoal).
Adorei, claro.
E esta passagem é das mais fantásticas, sendo que com o meu feitio, claro que assino em baixo.
Não gosto só do que escreves, mas também do que lês.
Beijinhos e veludinhos

3/18/2008  
Blogger Sam said...

Vou anotar aqui direitinho... afinal vindo de ti só pode ser coisa boa!!!

Bjosss!!!

3/18/2008  
Blogger Lídia Amorim said...

e nunca se saberá...

beijinhos

3/18/2008  
Blogger Romeu said...

Fiquei curioso relativamente à obra deste escritor e jornalista Húngaro, com influências de Franz Kafka.

Parece que só depois da queda do regime comunista é que a sua literatura foi redescoberta ("As Brasas", "O Legado de Eszter", "Divórcio em Buda", "Rebeldes", "Veredicto em Canudos" ou “A mulher certa”).

Tragicamente suicidou-se em 1989, depois da morte da esposa, por amor digo eu…ou então depois de descobrir que a mulher certa é uma miragem.

Tenho que ler.

3/18/2008  
Blogger nuvem said...

Xisko the kid, é verdade, este homem consegue ir ao fundo dos sentimentos, às profundezas da alma humana... Vale a pena. Beijos

Melgadoporto, gostei tanto do teu comentário... Gostei mesmo :) Beijos

Blue velvet, eu já me tinha apercebido de que temos muito em comum... :) E, na minha opinião, ainda bem! Beijinhos

Sam, anota e lê! Não vais arrepender-te, prometo. Beijos

Lídia, alguns, nunca o saberão... e quão pobres deverão ser as suas existências... Beijo

Romeu, acho que depois de leres a obra deste autor, e particularmente este livro, talvez entendas melhor quer a sua morte, quer a sua vida. Beijinhos

3/18/2008  
Blogger LNeves said...

Sinto-me uma felizarda... Já cheguei a este ponto...

***MUAH***

3/19/2008  
Blogger Oliver Pickwick said...

Ainda que não concorde com certas passagens deste texto, porém, admito, há muitas verdades.
Nada como um bom livro, não é?

3/19/2008  

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