quinta-feira, 17 de setembro de 2009

No avesso do poema


No avesso do poema há a noite.
A noite nos meus olhos,
nas palavras, no papel.

No avesso do poema não há lua
,
e as estrelas não têm voz.

Há silêncio. Um silêncio doloroso,

como o rosto agonizante do céu

a afundar-se na escuridão.

No avesso do poema há a morte,

com dentes afiados,
a rasgar-me o coração.


Imagem retirada de http://luziandrohertel.spaceblog.com.br

18 Comments:

Blogger soggyscheme said...

uma analogia muito bem construida . gostei .

9/17/2009  
Blogger francis said...

porque é que o avesso é sempre o meu da fita ?

9/17/2009  
Blogger nuvem said...

Soggycheme, obrigada :) Beijos

Francis, o teu da fita? Não sei... mas se é teu, tu é que devias saber... :p Beijos

9/17/2009  
Blogger Putty Cat said...

Poderoso e sombrio!!!

Como a putty goooooosta! :)

beijo meu

9/17/2009  
Blogger nuvem said...

Putty, sempre bom agradar a felinos de paladar tão requintado :) Beijinhos

9/17/2009  
Blogger Alessandro said...

Very dark. But I like it. This is the other side of the coin...


Na essência do poema há o dia,
que amanhece num mero olhar,
com as incertezas de quem não se fia,
na certeza do amar.

Na essência do poema há uma lua,
ela nunca para de brilhar.
Pode não ser minha ou tua,
mas é de quem sente ao luar.

Na essência do poema há a vida,
que não avisa ao passar.
Pode ser uma ideia descabida,
mas só vivemos para sonhar.

9/17/2009  
Blogger nuvem said...

Alessandro, obrigada pelo simpático comentário e pelo poema. Beijos

9/17/2009  
Blogger Alessandro said...

Li o teu poema e inspirou me :) Obrigado eu.
Bjs

9/17/2009  
Blogger Donagata said...

Não deixa de me surpreender. Nunca tinha pensado na beleza que se pode esconder na escuridão do avesso de um poema. Em boa verdade nunca tinha pensado que o poema tivesse um avesso...

9/18/2009  
Blogger nuvem said...

Oh... até fico sem palavras... Obrigada e um beijo daqueles meloso-pegajosos :)

9/18/2009  
Blogger Alien Taco said...

o poema são as cuecas do grande cú que é a realidade.O avesso do poema
carrega o selo.E, helas, ele só depende do que comermos.

9/18/2009  
Blogger nuvem said...

Alien Taco, também é um ponto de vista (sem duplos sentidos)... Ainda que ande mais escondido pelas calças, o que dificultará eventualmente a sua compreensão, mas é. Confesso é que comparar o poema a um par de cuecas com "selo" me parece pouco poético, já para não dizer pouco higiénico. É que papel é papel, mas cada um com a sua função, não?

9/18/2009  
Blogger Alien Taco said...

então agora descrimina-se o papel,não é?De função a classificação e posterior hierarquia.O problema da poesi8(NÃO TODA) É ter muitO DE poético e ser de alguma forma DEMASIADO LIMPA.

9/18/2009  
Blogger Vieira Calado said...

Pois... amiga!

Mas mesmo assim escreveu (e bem)

um poema!

Bjs

9/21/2009  
Blogger Edu said...

Já há muito que não lia algo teu tao proximo de mim.
adorei este

9/21/2009  
Blogger nuvem said...

Vieira Calado, ainda bem que lhe agradou, fico feliz por saber. Beijos

Edu, obrigada... :) Beijos

9/21/2009  
Blogger pin gente said...

e até no avesso o escreves

um beijo e obrigada

9/21/2009  
Blogger nuvem said...

pin gente, um beijo também para ti :)

9/21/2009  

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