domingo, 17 de outubro de 2010

(...)

Olhas-me e estremeço. Como se amanhã não houvesse o teu olhar sobre o meu rosto imperfeito, lembrando-me o quão perfeita me vês. Como se amanhã não houvesse o teu olhar. Como se pudesse ser esta a última vez que te amo em silêncio, porque amanhã o teu olhar já não é meu. Como se pudesse o teu olhar fugir de mim. E eu morresse de saudade nas ondas quebradas dos teus cabelos, afastando-se ao vento. Como se no momento em que me olhas eu visse toda uma vida sem os teus olhos. Olhas-me e estremeço. Como se soubesse que jamais poderei dizer-te o quanto te amo num olhar. Num poema. Como se não coubesse em mim a certeza de ser tua. Como se amanhã pudéssemos não ser todas as coisas que ainda não inventámos num olhar. Num poema. E perco-te inteiro nesse segundo em que me olhas, para no mesmo segundo te reencontrar.

3 Comments:

Blogger Raphaah Abreu said...

Flutuando neste turbilhão de idéias,
Venerando as paredes de tua casa,
Que sangra,
Poesia,
Sensibilidade,
Amor,
Tesão e Tempo!

Me agrada muito os textos que perfuram estas paredes,

É de cair a boca das palavras!

Agora te sigo aki.

Bjosss!

10/20/2010  
Blogger Silenciosamente ouvindo... said...

Estar aqui ler os textos e reflectir é bom.

Saudações

10/21/2010  
Blogger nuvem said...

Obrigada a ambos pela visita e pelas palavras deixadas.

10/22/2010  

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